Localizado estrategicamente no coração do estado, o município de Itaara (Código IBGE: 4310538) é uma joia da Região Central do Rio Grande do Sul. O nome, de origem tupi-guarani, combina as palavras “Itá” (pedra ou rocha) e “Ara” (alta ou nascer), uma clara alusão à sua geografia e formação rochosa da região serrana. Itaara faz fronteira com os municípios de Júlio de Castilhos, Santa Maria e São Martinho da Serra, e seu acesso principal é facilitado pela Rodovia BR-158.
Com uma área total que se estende por aproximadamente 172,801 km², Itaara é um destino de refúgio e tranquilidade. Sua altitude média de 425 metros e máxima de 503 metros proporciona um clima agradável, classificado como subtropical úmido (Cfa), caracterizado por chuvas bem distribuídas e variações de temperatura, favorecendo a rica biodiversidade local. A distância até a capital Porto Alegre é de cerca de 280 a 295 km.
Itaara apresenta um perfil demográfico de cidade de pequeno porte, que valoriza a qualidade de vida e o ambiente rural. Com base nas estimativas mais recentes (2024/2025), a população residente é de cerca de 5,7 mil habitantes. A densidade demográfica, portanto, é relativamente baixa (em torno de hab/km²), garantindo o ar bucólico e o contato mais íntimo com a natureza, características muito procuradas por moradores e visitantes.
Os indicadores socioeconômicos mostram um desenvolvimento em ascensão. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) municipal, registrado em (dado de 2010), é considerado alto, refletindo bons níveis de longevidade, educação e renda. A economia de Itaara se apoia principalmente na produção agropecuária, com destaque para culturas e criação, e no extrativismo mineral, sendo a exploração do basalto uma das atividades de maior relevância. O setor de serviços e turismo, impulsionado pelas belezas naturais e atrações culturais, também tem ganhado espaço, diversificando a geração de emprego e renda no município.
A história de Itaara é um mosaico de ocupações, disputas e colonizações que remontam ao século XVII.
O bloco original do território itaarense remonta a 1634, quando era parte de São Martinho da Serra e era habitado pelos indígenas da tribo Tapes. Eles batizaram o rio local de “Ibitimiri” (Ibicuí Mirim), evidenciando a ocupação autóctone. Essa presença foi marcada pela criação da missão jesuítica de São Cosme e São Damião pelo Padre Adriano Formoso.
Posteriormente, a área se tornou um ponto nevrálgico nos conflitos entre as coroas ibéricas. A construção do Forte Espanhol ou Trincheira de São Martinho fez da região uma fronteira militar constantemente em disputa. A presença de contingente militar era permanente, com destaque para o assalto ao Forte por Pinto Bandeira e sua tropa, a partir da Picada do Pinhal (o antigo nome da região), em 1776.
A ocupação das terras seguiu a política de doação de sesmarias pela Coroa Portuguesa, como as concedidas por volta de 1816 a Luciano Pinheiro e João Batista de Oliveira Melo. A Revolução Farroupilha (1835–1845) também deixou sua marca, com a abertura da estratégica Estrada do Perau pelo exército farrapo em 1840, uma rota de grande importância militar e logística.
Com a Lei de Terras de 1850, o processo de colonização ganhou novo impulso. A partir de 1857, iniciou-se a colonização alemã com a compra de terras por Jacob Albrecht, Jacob Adami e Miguel Kroeff, resultando na formação do povoado de São José do Pinhal. A localidade foi elevada a Freguesia em 21 de maio de 1882 e teve seu desenvolvimento acelerado com a inauguração da Linha Férrea Santa Maria/Porto Alegre em 1885.
Um marco singular na história de Itaara é o início da segunda colonização em 1904, com a fundação da Colônia Philippson. O banqueiro Maurice Hirsh, por meio da Jewish Colonization Association (ICA), adquiriu terras para receber imigrantes judeus fugidos de perseguições na região da Bessarábia (atual Ucrânia). A Colônia Philippson foi o primeiro assentamento judaico organizado no Brasil, um feito de grande relevância histórica e que estabeleceu um importante legado cultural no município.
A fase de Sub-Prefeitura, instalada em 1943 na residência de Raul Von Ende, preparou o caminho para a autonomia. Após uma série de sub-prefeitos que trabalharam pelo desenvolvimento local, o processo culminou no Plebiscito de Emancipação em 22 de outubro de 1995. A vontade popular se concretizou na Lei Estadual n° 10.643, de 28 de dezembro de 1995, que criou oficialmente o município. A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1997, marcando o nascimento de Itaara como um município independente.
Itaara é um destino de turismo que mescla história, natureza exuberante e atrações singulares, sendo um refúgio muito procurado na Região Central gaúcha.
Museu Internacional de Ufologia, História e Ciência Victor Mostajo: Inaugurado em 2001, é um ponto de referência e considerado o primeiro e único museu da América Latina dedicado à temática extraterrestre e ufológica. Atrai milhares de visitantes interessados em ciência e fenômenos não identificados. No mesmo complexo, o Observatório Bioastronômico COSMOS complementa a experiência, sendo um local de estudo e divulgação científica.




Estrada do Perau e Mirantes: Esta estrada histórica, hoje um roteiro turístico, oferece mirantes com vistas panorâmicas deslumbrantes do vale, devido à sua altitude. É um local de rica biodiversidade e um convite para o ecoturismo, caminhadas e contemplação da natureza remanescente da Mata Atlântica.






Itaara se apresenta, assim, como um destino completo: um lugar onde a história se encontra nas pedras do caminho, a cultura é preservada em seus monumentos e a natureza oferece um escape revigorante da vida urbana.